A origem do Linux

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Linux já é um termo bem conhecido nos dias de hoje, não é verdade? Mas nem sempre foi assim. A sua popularidade se deu graças aos esforços de grandes programadores que adotaram o conceito de software livre que, aliás, é outro termo que você já deve ter ouvido.

O Linux é um jovem garoto, com pai e avô, e ainda está amadurecendo, ainda tem muito a aprender. O seu pai, o falecido Unix, foi originado do grande (nem tão grande assim, vamos combinar) Minix.

E nesse momento, talvez surjam dúvidas em sua cabeça, como:

  • Quem criou o Linux?
  • Como ele surgiu?
  • Qual a sua finalidade original?
  • Será que o Linux começou da mesma forma que o Windows?

Acalme-se! Todas essas perguntas existenciais serão respondidas no artigo de hoje.

Mas, antes de começarmos a entender o que significa Linux, precisamos apresentá-lo pelo nome completo: GNU/Linux. Isso mesmo! Quando falamos de GNU/Linux, estamos falando do sistema operacional e quando falamos de Linux, estamos nos referindo apenas ao núcleo (também conhecido como kernel) do sistema operacional, mas isso você vai entender mais adiante.

Boa leitura!

Sistema Operacional Linux: suas origens

Estamos no ano de 1965. Nesse ano, o laboratório da AT&T, Bell Telephone Labs, o Instituto de Tecnologia de Massachussets e a General Electric se unem para desenvolver o sistema operacional Multics. Como você sabe, passatempo de nerd é desenvolver aplicativos nas horas vagas. Então, nada melhor que programar enquanto não estiver programando…

fogueteBom, parece exagero, mas foi o que Ken Thompson e Dennis Richie, do Laboratório Bell, fizeram. Eles criaram um jogo espacial desenvolvido nas horas vagas, o Space Travel, para jogar enquanto não tinham o que fazer.

Mas mesmo criando seus brinquedos, os jovens engenheiros continuam sendo muito dedicados e continuam seu trabalho árduo para desenvolver melhorias ao Multics, que ainda tem muitas falhas para corrigir.

Quatro anos se passam e estamos agora em 1969. O Multics ainda está longe de ser um projeto considerado bom e não chega nem perto de atingir seu objetivo. Isso faz com que o Laboratório Bell desista de continuar o projeto. Afinal de contas, porque você vai continuar em um projeto que você sabe que não vai dar futuro, não é mesmo?

Agora sem nenhum projeto em mente, os dois engenheiros, Thompson e Richie, decidem portar aquele jogo que haviam criado, o tal do Space Travel, para os computadores da época: os saudosos PDP-7.

Só que agora eles tinham um novo impasse: era impossível inserir o jogo no computador sem um sistema operacional que gerenciasse tudo por trás. Então, mais uma vez, os dois engenheiros vão para a tela de programação e, mãos a obra! Com o conhecimento que adquiriram em quatro anos desenvolvendo um SO, seria fácil criar o seu próprio sistema. E de fato, foi. A questão é que nossos amigos eram muito sarcásticos e graças a isso nomearam seu sistema como Unics, uma forma de satirizar o sistema que trabalharam anos antes: o Multics.

unicsPorém, como algumas coisas nessa vida acontecem sem razão, o nome Unics começou a ser distribuído com a grafia do X no lugar do CS, ficando conhecido desde então como sistema Unix.

Diferente do sistema anterior, o Unix foi bem mais aceito e atendia as necessidades, mesmo que de forma bastante rudimentar. Era um diamante que precisava apenas ser lapidado.

É importante lembrar que aqui o sistema falado trata apenas do kernel e não um sistema operacional completo.

Diante desse sucesso, Ritchie e Thompson reescrevem o sistema Unix em linguagem C, onde poderiam realizar melhorias mais facilmente e rodá-lo em computadores mais “modernos”, como o PDP-11.

Você deve estar se perguntando: “o que é esse tal de PDP”? Significa Programmed Data Processor ou Processador de Arquivos de Programação. Veja como o pessoal dos anos 60 se virava na informática:

pdp-7

Um exemplo de PDP. Não ocupa muito espaço, né?

Esse sistema já tinha ficado bem conhecido não somente no Laboratório Bell, mas em toda a AT&T. Tanto, que em 1973 foi necessário criar um grupo de suporte para ajudar os usuários do sistema. É… Parece que os usuários já vêm incomodando o pessoal do suporte há uns… 43 anos!

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Nesse mesmo ano, 1973, a equipe da AT&T começou a distribuir o código-fonte em universidades da cidade para fins educacionais. Os sistemas mais bem desenvolvidos foram colhidos pela AT&T, formando um acervo de programação de praticamente 10 anos, até 1982.

Em 1982, diversas dessas versões criadas pelos estudantes foram unificadas, formando um sistema mais robusto que ficou conhecido como Unix System III.

Cada vez que a AT&T lançava uma nova versão de seu sistema, percebia o seu potencial e foi assim que em 1983 lança o Unix System V dessa vez com suporte aos usuários. Sim, o suporte agora era para todos os usuários do sistema e não somente para os funcionários da AT&T.

Só que a partir de 1983, o negócio começou a ficar complicado. Muitos dos desenvolvedores que contribuíram para o Unix estavam bastante frustrados, pois os aprimoramentos foram criados inicialmente com objetivo educacional e, agora, o sistema estava nas mãos de uma empresa privada.

Foi então que Richard Stallman teve uma ideia para solucionar isso: ele lançou o projeto GNU. Gnu é um animal parecido com um boi e, devido a isso, veio a origem da logo.

projeto-gnu

Logo oficial do GNU. Desde a sua origem, ainda não teve alterações!

Esse projeto foi criado com o intuito de ser um sistema no formato Unix, ou seja, ter o kernel baseado em Unix (lembre-se: kernel é o núcleo do sistema operacional). Além disso, a principal característica desse projeto era ser obrigatoriamente gratuito. Assim surgiu o primeiro conceito de software livre.

No ano seguinte, 1984, o Projeto GNU foi oficialmente lançado e daí pra frente o conceito de liberdade começou a tomar grandes proporções. Tanto, que em 1985, Stallman e seus amigos criam a Free Software Foundation (FSF), responsável pela criação da Licença GPL (GNU General Public License). Essa licença é responsável pela:

  • Liberdade de execução do software para qualquer finalidade.
  • Liberdade de uso do software para estudo e adaptação às suas necessidades.
  • Liberdade de redistribuir, copiar ou divulgar sem nenhuma restrição.
  • Liberdade para aperfeiçoar o software e liberar aperfeiçoamento para a comunidade, de modo que todos se beneficiem.

Como você pode ver, a Licença GPL impede que o software ou sistema operacional fique atrelado a alguma instituição, sendo o software de licença pública.

A partir disso, a comunidade se viu livre para criar e dividir seu conhecimento com todos. Assim, um membro lançava um aplicativo, outro o melhorava, redistribuía uma nova versão, recebia atualizações de outro membro, enfim… Todos se beneficiando e aperfeiçoando seus softwares entre si.

A comunidade não parava de crescer e, quatro anos depois, em 1989, um dos membros da comunidade na Finlândia, Linus Torvald, aperfeiçoa ainda mais o kernel do Minix e o nomeia como Linux, acrônimo para Linus’s Minix.

Já há algum tempo trabalhando arduamente no seu novo projeto, Linus envia uma mensagem para um grupo de discussão que participava, incentivando o pessoal a usar seu sistema e aperfeiçoa-lo, prometendo bastante estabilidade, além de atender as necessidades de quem estava acostumado a usar o Minix.

A proposta parecia boa, não é? E realmente foi. Diversos programadores quiseram conferir a novidade e o resultado foi bom. Tão bom que em 1991 Linus lança a versão 1.0 de seu próprio kernel Linux.

codigo-de-programacao

Enquanto que por um lado, havia o kernel de Linus, pelo outro, haviam códigos escritos pelos programadores guardados nas dependências da FSF, mas que ainda não possuíam um kernel (lembra-se deles, que foram acumulados por quase 10 anos?).

Sei o que está pensando! Por que eles não se juntam e formam um sistema operacional completo? Foi exatamente o que a FSF e o Linus pensaram e em 1992 os dois sistemas se fundem e se completam, formando o primeiro Sistema Operacional GNU/Linux.

Desde 1992, o conceito original continua, ou seja, diversos programadores espalhados pelo mundo contribuem para o aperfeiçoamento do sistema. Você pode fazer parte dessas comunidades, se tiver interesse.

Distribuições Linux

Como você já sabe, o GNU/Linux é produzido baseado na Licença GPL, ou seja, você pode reescrever o código-fonte e criar seu próprio sistema operacional.

Não preciso dizer que foi isso que aconteceu, resultando em milhares de distribuições Linux espalhadas pelo mundo nas mais diversas formas e cores.

Algumas dessas distribuições ficaram bem famosas e com certeza você já ouviu falar delas: Ubuntu, Debian, OpenSUSE, Red Hat, Slackware, Kurumin, Fedora, CentOS, entre tantos outros… Mas falaremos das distribuições em um outro artigo.

Por enquanto, basta que você entenda a origem do Linux e o que ele realmente é: um sistema operacional gratuito e cooperativo, aonde todos podem contribuir para melhorias, inclusive você.

No artigo sobre as distribuições, iremos mostrar os sites que você pode acessar e fazer parte da comunidade de cada distro.

O usuário final e os softwares livres

A maioria das pessoas tem receio em migrar para o Linux e isso se deve a dois grandes fatores.

O primeiro é que o Linux parece ser um sistema complexo e que deve ser usado somente por experts em TI. Mas isso é um tremendo engano! Na verdade, o que aconteceu é que quando o Linux começou a tomar a forma que se conhece hoje, o Windows já estava dominando o mercado. Isso acabou dificultando a sua difusão.

O segundo motivo principal é que muitas pessoas acreditam que não vão conseguir rodar o seu programa favorito ou o seu jogo no Linux. Bom, aí já é uma meia verdade, mas vou lhe explicar o porquê.

O que acontece é um fator comercial, ou seja, financeiro mesmo. As empresas que desenvolvem um jogo o aperfeiçoam para a plataforma que está em alta. Como o Windows ainda tem uma grande fatia de mercado para usuários finais, é nesse alvo que as empresas concentram seus esforços. O que sobra é que para o Linux somente empresas interessadas em alcançar a totalidade dos usuários desenvolvem suas versões para o SO gratuito. Obviamente, atualmente o Linux tem muito conteúdo, mas muito a alcançar também.

Leia mais! Jogos no Linux funcionam ou não?

Além da parte financeira, outro fator que determina isso é a comodidade da população em geral. Se você precisa fazer um trajeto para o trabalho a pé, por exemplo, provavelmente você faz isso sempre pelas mesmas ruas e até pelo mesmo lado da calçada. É isso que acontece com o Windows.

Se nós confirmarmos para você que o Linux agora tem um ambiente gráfico agradável e funcional, ainda assim você terá receio em mudar de sistema, uma vez que as pessoas são acomodadas e têm medo de novidades. Mas obviamente, isso não é culpa dessa ou daquela pessoa: é o todo que pensa dessa forma.

Mas o que nós podemos dizer para você é para arriscar-se mais. Faça o teste! Troque de sistema, pesquise suas funcionalidades, veja seus recursos, descubra-o. O Linux tem a vantagem de não ser pirata, pois é gratuito, além de contar com milhões de programadores dispostos a corrigir erros constantemente.

Dominando o Samba 4 em apenas 20 horas!

Use uma distro Linux e descubra que você vai poder ir muito mais longe. Venha para a liberdade de compartilhamento você também!

Fontes

  • vivaolinux.com.br/linux/
  • vivaolinux.com.br/artigo/Historia-do-GNU-Linux-1965-assim-tudo-comecou/
  • pt.wikipedia.org/wiki/Linux
  • pt.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License
  • c-jump.com/bcc/c155c/MemAccess/const_images/decpdp7pdp7_serial47_2.jpg
  • corais.org/sites/default/files/user/u2939/the_gnu_logo51.png
  • 3.bp.blogspot.com/-yCHpQ5cDVhs/Uz1v7Mi2WyI/AAAAAAADbKY/0WIG9SGIyqA/s1600/foguete-para-colorir.gif

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2 pensamentos sobre “A origem do Linux

  1. Adorei o conteúdo! Texto muito claro e agora realmente conseguir entender o que é o Linux, pois nos outros sites não tem uma explicação tão fácil assim!

    Continue com esse projeto!

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    • Muito obrigado, Fillipe!

      É muito satisfatório saber que estamos atingindo nosso objetivo: trazer um conteúdo complexo de forma clara!

      Não se esqueça de conferir o restante de nosso conteúdo.

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