ISDN (Integrated Service Digital Network)

Olá, dessa vez mostraremos o funcionamento, as aplicações, as vantagens e mais algumas informações sobre a tecnologia ISDN. Essa, surgiu na década de 1980 e é utilizada até hoje, com alguns aprimoramentos. Para saber mais, você deve continuar lendo…

História

ISDN é a sigla para Integrated Services Digital Network. Essa tecnologia também recebe o nome de RDSI – Rede Digital de Serviços Integrados. Trata-se de um serviço disponível em centrais telefônicas digitais, que permite acesso à Internet e é baseada na troca de dados, transmitindo os pacotes por multiplexagem (possibilidade de estabelecer várias ligações lógicas numa única ligação física existente) sobre cabos de par trançado.

A tecnologia ISDN já existe há algum tempo, tendo sido consolidada entre os anos de 1984 e 1986. Através do uso de um equipamento adequado, uma linha telefônica convencional é transformada em dois canais de 64 Kb/s (quilobits por segundo), onde é possível utilizar voz e dados ao mesmo tempo, sendo que cada um ocupa um canal. Também é possível usar os dois canais para voz ou para dados. Visto a grosso modo, é como se a linha telefônica fosse transformada em duas.

Um computador com ISDN também pode ser conectado a outro que utilize a mesma tecnologia, um recurso interessante para empresas que queiram conectar-se diretamente entre as filiais e a matriz, por exemplo.

A tecnologia ISDN possui um padrão de transmissão que possibilita aos sinais que trafegam pelas centrais telefônicas que estes sejam gerados e recebidos em formato digital no computador do usuário, sem a necessidade de um modem (modulador/demodulador). No entanto, para que um serviço ISDN seja ativado em uma linha telefônica, é necessária a instalação de equipamentos ISDN no local de acesso do usuário e uma central telefônica preparada para prover o serviço de ISDN.

Equipamentos ISDN

A largura de banda de uma linha analógica convencional é de 4 KHz. Numa linha digital ISDN, esse valor é de 128 Kb/s, o que faz com que o sinal de 4 KHz não exista mais, pois a interface da central de comutação no outro lado da linha não trabalha mais com sinais analógicos. Os circuitos eletrônicos da central telefônica efetuam a equalização e detecção do sinal digital a 128 Kb/s transmitido a partir do equipamento do usuário.

Essa técnica de transmissão na linha digital é a conhecida como “Híbrida com Cancelamento de Eco”. O equipamento do usuário recebe o fio do telefone proveniente da rede telefônica e disponibiliza duas ou mais saídas: uma para o aparelho telefônico e a outra para a conexão com o computador, geralmente via cabo serial.

Quando o equipamento do usuário é informado pela central telefônica que chegará até ele uma chamada telefônica, ou quando o usuário aciona o aparelho telefônico para realizar uma ligação, automaticamente um dos dois canais utilizados na transmissão à 128 Kb/s passa a transmitir os dados à 64 Kb/s enquanto o usuário utiliza o telefone para voz, no canal disponibilizado. Após o término do uso de voz, o canal volta a ser usado para a transmissão de dados à 128 Kb/s. No entanto, é importante lembrar que o equipamento de ISDN do usuário tem que ter suporte a este mecanismo (conhecido como call bumping), caso contrário, esse recurso pode não funcionar e o usuário não receber a ligação.

O início

Os primeiros casos de uso da tecnologia ISDN datam entre os anos de 1984 e 1986, logo após as primeiras especificações do ISDN terem sido determinadas. Nesta época, ainda não havia a necessidade de uma transmissão de dados à 128 Kb/s. A tecnologia ISDN foi desenvolvida para ser uma “solução para um problema” que ainda pudesse existir para a grande maioria dos usuários. Em 1990, o ITU-T (International Telecommunication Union) emitiu as especificações Px64 para a videofonia, cuja ideia central permitiria o uso de vídeo em ligações telefônicas. Entretanto, os preços dos terminais eram inviáveis para a grande maioria dos usuários e a troca de imagens e áudio em uma conexão telefônica era uma novidade da qual poucas pessoas tinham interesse, tal como se fosse uma ideia futurista. Viu-se ainda que a videofonia nas linhas analógicas, gerava custos maiores para ter uma qualidade aceitável. O ISDN foi criado para solucionar este problema e deixar os equipamentos mais baratos.

Pouco tempo depois, a Internet começava a aparecer para o mundo. Rapidamente, usuários que conseguiam velocidade satisfatória durante as conexões aos BBS (Bulletin Board System/Service – sistema disponível ao usuário comum no período conhecido como pré-Internet) perceberam que, na Internet, a mesma eficiência não existia, mesmo com modems de 28.8 Kb/s, os mais velozes na época. O despreparo das companhias telefônicas em fornecer acesso ao fenômeno “Internet”, além do precário estado da infraestrutura dos primeiros provedores de acesso, contribuíam para isso. No entanto, o mundo “World Wide Web” era algo fascinante e imperdível. Diante desta percepção, muitos começaram a se perguntar como obter velocidades maiores e mais estáveis nas conexões à Internet. A tecnologia ISDN se mostrou interessante a estes propósitos e passou então a ser usada para tal finalidade, substituindo seu objetivo de desenvolvimento inicial.

Utilização do ISDN

É possível usar duas formas de comunicação com ISDN, sendo elas…

1. Acesso básico – BRI

A primeira forma é o acesso básico destinado ao usuário doméstico ou pequenas empresas: ISDN-BRI (Basic Rate Interface), onde é possível ligar vários equipamentos-terminais. A ligação de acesso básico põe sempre à disposição dois canais, possibilitando assim o uso máximo de dois equipamentos ou ligações simultâneas. No entanto, é possível conectar até 8 equipamentos ao ISDN, mas somente dois poderão utilizar a tecnologia ao mesmo tempo.

O reconhecimento do serviço é feito pelo MSN (Multiple Subscriber Number), que determina a qual dos equipamentos se destina a ligação. O ISDN-BRI também pode servir como substituto para acessos telefônicos tradicionais e é composto, conforme já citado, de dois canais de dados (B channels) de 64 Kb/s, e um canal de sinalização de 16 Kb/s (D channel).

2. Acesso primário – PRI

A segunda forma é o acesso primário (Primary Multiplex), que permite a utilização de, no máximo, 30 canais, com taxa de transmissão de 2048 kbits. Neste caso, o ISDN é fornecido diretamente da central telefônica e não através de um linha telefônica convencional. O acesso primário possibilita a comunicação simultânea em 30 equipamentos, sendo portanto, útil a empresas de porte médio e grande e a provedores de acesso à Internet. Este tipo de ISDN também possui um canal D, que opera a 64 Kb/s.

O canal D

Independente do tipo de ISDN usado (BRI ou PRI) há um canal, denominado D (D channel), também conhecido como “canal de dados”. Este, é responsável por manter uma “reserva” de 8.000 bits e também informações necessárias aos dois canais B, como protocolo de transmissão de dados, tipo de equipamento, além de informações de interesse da companhia telefônica, como taxas, data e horas de conexão, etc.

Com a combinação das características do canal D com o equipamento de hardware adequado é que se tornou possível “juntar” os canais B para transmitir dados com maior eficiência.

Os Protocolos

No tecnologia ISDN, existem basicamente 4 protocolos significativos para o usuário. Todos os protocolos são utilizados no canal útil e não no canal de dados.

V.110

O protocolo de velocidade V.110 é um processo de transmissão que existe desde os princípios da tecnologia ISDN. Os dados são transmitidos em até 38.400 bit/s. O restante da capacidade (até 64 kbits) fica ocupado com pacotes de dados redundantes.

V.120

É o sucessor do V.110 e possui poucas diferenças em relação ao primeiro. A principal é que nele os dados são transmitidos em até 54.000 bit/s.

X.75 e T70NL

Ambos são mais recentes e conseguem aproveitar integralmente a capacidade de transmissão do Canal B. Foram estes protocolos que permitiram à tecnologia ISDN ser uma solução viável para acesso à Internet.

Fonte: infowester.com.

2 pensamentos sobre “ISDN (Integrated Service Digital Network)

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